Concurso Literário - 1º lugar POESIA—2011

Caixa de texto: Academia de Letras de São João da Boa Vista/SP

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             1º Lugar Poesia Infantil 

             Prêmio Emílio Lansac Tôha

             São João da Boa Vista

             Lara Mauro de Araújo

                

 

            ANIMAIS SENSACIONAIS

 

           O elefante

           Apesar de grande

           É elegante

 

           A girafa

           Quando o tempo abafa

           Bebe coca de garrafa

 

           O leão

           Por querer ser o patrão

           Ficou com fama de mandão

            

           A baleia

           Se chateia

           Porque não pode usar meia

 

           O passarinho

           Quando se sente sozinho

           Vai procurar seu vizinho

 

           O gavião

           Para nadar no ribeirão

           Veste logo o seu calção

 

          

O gato

           Vive atrás do rato

Que se esconde no mato

 

A formiga

Carregou folha de urtiga

E espetou sua barriga

 

O bode

Pensa que pode

Só porque tem bigode

 

Nestas rimas bem legais

Quis homenagear

Alguns animais

1º Lugar Poesia Juvenil

Prêmio Emílio Lansac Tôha

São João da Boa Vista

Rafael Palhuca

 

 

A SOMBRA QUE ASSOMBRA

 

Onde está a razão

de ferir, magoar e agredir,

se o resultado é sempre uma lesão,

tanto no corpo quanto no coração?

 

Pessoas brigando, outras rindo,

umas escondendo, tantas partindo...

E o pior de toda essa história,

são as que permanecem firmes,

 paradas, olhando e aplaudindo.

 

E sempre, após a briga,

sobra a vítima que sofre

a quem o público mais humilha.

 

A escola alerta: “Vai haver punição”.

O agressor ainda assim ameaça,

e continua a provocar

a ira, o ódio,

de quem um dia tudo isso

não mais suportar!

 

1º Lugar Poesia Adulto

Prêmio Emílio Lansac Tôha

Mariana/MG

Andreia Aparecida Silva Donadon Leal

 

 

DEUS DE HELENA

 

Cantai, doce musa do terceiro milênio

infinitos

lastimáveis

e

chorosos cantos.

 

Chorai, homens,

pobres mortais,

encantos de Helena

musa estimada de Homero,

seus ardilosos desencantos.

 

Chorai, Adão,

pobre imortal,

traições de Eva.

 

Chorai ainda:

homens e mulheres

homens e homens

mulheres e mulheres

todos os males de amores.

 

Qual deusa mortal

bordou tantos fios funestos

a grandes mortais

em tristes e desumanas pelejas?

Não sei cantar, doce Helena de Homero,

cabelos brilhantes

sedosos fios de seda,

vossos ardilosos desencantos.

 

Exortai, Helena

olhos de mortais

inebriados com perfume estonteante

de vossa beleza malévola,

Deidade mortal!

 

Fostes, Helena

Maldita Deusa de

dissabores

morticínio

e

chacina

de

Gregos e Troianos.

 

Que segredos trazeis, Helena:

pestes

sífilis

desgraças

desavenças,

desejos desmedidos

ou

simplesmente melancolias?

 

Talvez, doce amarga, Helena,

fostes nada mais do que encantos

ou

sonhos de homens e mulheres...

 

Talvez, Helena de Homero,

olhos, boca, corpo e coração:

que a terra nunca há de ter

nem Menelau, Páris e nenhum mortal;

nem seja vossa culpa,

vossa tão grande culpa,

mas desculpa de deuses e homens

por suas desmedidas fraquezas,

viciados

sedentos

e

enlouquecidos

de desejo.

 

Lágrimas

dos mares

dos cavalos de Troia

dos deuses e dos mortais

é

culpa, somente culpa

do Engenhoso fabulador,

Deus único de Helena!

 

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1º Lugar Poesia  Maiores de 60 anos

Prêmio Especial Otávio Pereira Leite

 Itararé/SP

Maria Apparecida S. Coquemala

 

A BUSCA DO SENTIDO

 

E saí a procurar o sentido da vida-

fonte primordial da inquietude humana-

 nas mais longínquas plagas do Universo.

           Ansiava pela verdade inteira, imutável,

           não aquela verdade de ontem

           logo desmentida no alvorecer do amanhã.

E o procurei nos campos, nas cidades,

observando homens, mulheres e crianças,

busquei-o nos templos, livros sagrados, rituais,

na Ciência, na Filosofia, nas Artes...

           Sem encontrá-lo.

O tempo foi passando, quase perdida a esperança,

fui além do humano, dos olhos do Hubble me apropriei.

           E entre nebulosas e galáxias distantes,

           mergulhando nas entranhas do mundo sideral,

           cheguei à explosão do Big Bang,

           que  me abriria o caminho ao sentido inicial.

                      Não o encontrei

Era preciso então buscá-lo no universo quântico,

entre as mínimas partículas subatômicas:

lá estaria ele recôndito.

Mas o sentido tal como eu queria,

           não estava lá.

Para  encontrá-lo, era preciso mais,

mais que um olhar devassador sobre os astros do céu,

mais que um mergulho no coração da matéria.

           Era outro o caminho, era preciso

           chegar ao íntimo da humanidade,

           talvez ali bem escondido estaria  ele.  

E mergulhei na psique de homens e mulheres,

chegando ao inconsciente humano,

mundo de angústia, sofrimento e dor.

           Faltam-me palavras para descrevê-lo,

           de tal modo  me tomei de compaixão pela humanidade

           em sua longa e penosa  caminhada rumo... a quê? Ao nada?

           Ou, que grande segredo guardaria só para si o Criador?

Crescia a minha angústia,

tornava-se premente encontrá-lo,

ainda que ignotos fossem os caminhos.

Servi-me então da lucidez de Nietzsche,

do super-homem me apossei.

           E vi a meus pés, a humanidade,

           frágil, subjugada, acima de tudo cega

           ao que tão claramente me parecia ver agora.

           Enfim, o poderia encontrar como o queria,

           Mas, um filósofo grego surgiu em meu caminho,

           cobrindo-o de sombras.

E de repente me vi numa caverna escura,

enquanto lá fora o sol tudo dourava.

Era lá que estava ele, fora da caverna,

mas o brilho do sol me ofuscava o olhar.

Podia vê-lo, porém multifacetado.

Como possuí-lo como eu o desejava?

           Mergulhara na mais profunda tristeza,

           quando um jovem poeta, compassivo,

           sentou-se a meu lado e falou-me brandamente,

           - Inútil a tua procura, a vida não tem sentido.

 

O tempo passou, fui interpretando melhor

aquela imagem multifacetada,  exposta ao sol dourado:

a vida pode não ter sentido, como queria o poeta:

entre as dores do caminho, perdem-no os desiludidos.

ou ter sentido, sim, construído pelo próprio homem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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