História

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Assim nasceu nossa Academia

	




























































	




















Caixa de texto: Academia de Letras de São João da Boa Vista/SP

 

Publicações

 

15 de Novembro de 1971—Instalação Solene da Academia de Letras de São João da Boa Vista—Recinto: Sociedade Esportiva Sanjoanense

Estatuto

Diretoria

SES—1971—Odila Godoy é diplomada por Dom Tomás Vaquero

                   A idéia para a fundação de uma Academia de Letras em São João da Boa Vista partiu de Milton Duarte Segurado, em conversa informal com Octávio da Silva Bastos. Este último era, na época, Prefeito Municipal e Presidente da Associação Sanjoanense de Ensino, depois Fundação de Ensino Octávio Bastos. Milton Segurado, homem culto, professor de nossas faculdades e membro da Academia Campineira de Letras, mostrou que o momento era propício para a fundação de uma Academia aqui em São João, acompanhando o surgimento das faculdades.

                   A idéia foi bem acolhida por Octávio Bastos e, com base nos estatutos da Academia de Campinas, foi sendo elaborado um projeto, reunindo, num todo, os Estatutos e o Regimento Interno, observando-se as adaptações necessárias.

                   Anos mais tarde, Octávio Bastos procurou dois companheiros, também ligados à cultura, sobejamente conhecidos como intelectuais: Octávio Pereira Leite e Francisco Roberto Almeida Júnior. Assim, essa comissão trinitária reformulou o projeto inicial, com base nos Estatutos da Academia Paulista de Letras.

                   O passo seguinte foi o de procurar uma pessoa para ser o presidente da nova sociedade cultural. Deveria ser uma pessoa que, além de culto, fosse querido, tivesse prestígio, estofo moral e carisma de aglutinador pelos méritos e, assim, reunisse em torno de si, os homens e as mulheres de destaque nas artes, nas ciências e nas letras. A comissão não teve dificuldades e o convidado foi S. Exa. Revma. Dom Tomás Vaquero, Bispo Diocesano.

                   O convite foi aceito com a ressalva de que seus trabalhos pastorais deveriam ser conduzidos com prioridade.

                   Os três iniciadores partiram à procura de outros nomes, não menos respeitáveis e verdadeiros valores culturais da terra, que seriam os fundadores da nova Academia.

                   A primeira reunião aconteceu em 10 de setembro de 1971, na Residência Episcopal, sob a presidência de Octávio Bastos.

                   Eram 17 os presentes, mais dois ausentes, mas participantes por procuração. São esses os sócios fundadores de nossa Academia:

Octávio da Silva Bastos;

Dom Tomás Vaquero;

Octávio Pereira Leite;

Francisco Roberto Almeida Júnior;

Abelardo Moreira da Siva;

Palmyro Ferranti;

Rev. José Rodrigues Cordeiro;

Joaquim José de Oliveira Neto;

Emílio Lansac Toha;

Licínio Vita da Silva;

Ademaro Prézia;

Con. Luiz Gonzaga Bergonzini;

Hélio Corrêa Fonseca;

José Osório de Oliveira Azevedo;

Odila de Oliveira Godoy;

Jordano Paulo da Silveira;

Fábio Carvalho Noronha;

Milton Duarte Segurado;

Maria Leonor Alvarez e Silva.

 

                   Os Estatutos, elaborados por Octávio Pereira Leite foram aprovados. Por sugestão de Emílio Lansac Toha foi aprovado também o nome do novo sodalício –Academia de Letras de São João da Boa Vista-.

                   Por aclamação foi eleita a primeira diretoria cujo presidente não poderia deixar de ser: Dom Tomás Vaquero.

                   A lista de filiação foi assinada e cada acadêmico escolheu o respectivo patrono.

                   Novos membros foram convidados a se juntarem a esses intelectuais fundadores, não só da cidade como de outras.

                   Em concorrida e festiva reunião, realizada em 15 de novembro de 1971, no salão principal da Sociedade Esportiva Sanjoanense, 40 membros receberam seus medalhões e ocuparam as respectivas cadeiras.

                   A instalação da Academia de Letras de São João da Boa Vista foi a concretização do ideal de um grupo de um grupo de pessoas, que se dedicaram à cultura, como força propulsora de progresso!

                   Atualmente, no leme da Arcádia Sanjoanense, tem à frente, como presidente, Francisco de Assis Carvalho Arten. Desde Dom Vaquero a Francisco de Assis Carvalho Arten, a Academia sempre cumpriu seu papel! Já estamos longe da década de 70, mas nos lembramos, com reverência das figuras dos fundadores. O que é primordial é manter firme o ideal que deu origem à nossa Academia!

                   Que nosso lema: “Os livros governam o  mundo” possa ser cada vez mais difundidos e vivenciado pelos veteranos e pelos novos acadêmicos.

 

João Baptista Scannapieco

Cadeira nº 17

Patrono: Francisco Paschoal

 

 

 

Acadêmicos reunidos com o palestrante Davi Arrigucci Jr. na celebração dos 40 anos de fundação de nossa Arcádia, no auditório do Instituto Federal São Paulo—IFSP, em 25/11/2011.  Saiba mais

Academia de Letras comemora condignamente os seus 40 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Num clima de festa, na última sexta-feira, dia 25, a Academia de Letras de São João da Boa Vista comemorou seus 40 anos de existência. O evento teve lugar no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), que acolheu acadêmicos e convidados em seu espaço, na rodovia de acesso São João-Vargem Grande do Sul. O amplo auditório fez-se pequeno para recepcionar o público, comprovando a magnitude da festividade.

Compareceu um público eclético, cuja alegria e curiosidade intelectual foram decisivas para criar o clima de confraternização. Eram pessoas das mais diversas idades e interesses: amigos e familiares, alunos de várias instituições de ensino, professores e doutores em Letras, amantes da literatura e pessoas marcantes na vida cultural da cidade. Lá estavam desde crianças vencedoras do Concurso Literário até seus professores e diretores; desde pessoas simples, que pela primeira vez entravam em um espaço acadêmico, até representantes de escolas e faculdades; desde profissionais liberais até a imprensa; desde intelectuais habitualmente reclusos até pessoas de outras cidades, que vieram especialmente para o evento.

Após a abertura dos trabalhos pelo presidente da Academia, Francisco Arten, a acadêmica Ana Lúcia Finazzi apresentou os resultados do 19° Concurso Literário de Prosa e Poesia, que coordena com a colaboração de dez acadêmicos julgadores.  O concurso teve abrangência internacional, com 335 trabalhos recebidos de 21 estados brasileiros, 6 cidades portuguesas, além de um texto da Suíça e outro do Japão – tudo isso demonstrando a força do site da Academia.

Em sua 19ª edição, o concurso deste ano teve como patrono o acadêmico Nege Além, autor de13 livros publicados e 3 inéditos. A qualidade literária de sua obra foi ressaltada por Ana Lúcia que, em sua saudação, lembrou ser ele considerado um “contista de primeiro plano” pelo crítico Caio Porfírio Carneiro, da União Brasileira de Escritores.

A seguir, os vencedores do concurso receberam das mãos do homenageado uma Antologia com os textos vencedores, publicada com o apoio cultural da Prefeitura Municipal. A Antologia foi a forma escolhida pelos acadêmicos para incentivar os novos talentos a continuar escrevendo, além de propiciar a eles um meio de divulgação de suas obras. A iniciativa teve grande sucesso entre o público, que chegou a pedir autógrafo aos vencedores, mostrando a integração escritor/leitor. Alguns jovens mostraram-se contagiados pelo espírito literário, querendo, após o evento, tirar fotos com os vencedores e com os acadêmicos, assim coroando os propósitos da Academia.

Um momento de extrema emoção foi a apresentação musical de Natanael dos Santos ao violino. Aluno do Instituto Federal, o jovem foi amplamente aplaudido pela plateia.

O ponto alto das comemorações foi a palestra do Prof. Dr. Davi Arrigucci Jr., um dos críticos literários mais importantes do país. Tive o privilégio de apresentá-lo, quando relembrei seu percurso profissional: titular aposentado de Teoria Literária da USP, onde ingressou como professor aos 21 anos de idade, professor emérito daquela universidade, ensaísta premiado, tradutor, escritor e estudioso de cinema. Ressaltei o vínculo de Davi com São João, onde não apenas nasceu, mas onde também realizou sua formação cultural, nas aulas de professores marcantes e nas leituras na biblioteca do Dr. Oliveira Neto, membro fundador da Academia de Letras. A cidade é ainda o lugar para onde ele volta imaginariamente em suas duas novelas. Mais tarde, ele diria: “Gostei demais de tudo; fiquei emocionado muitas vezes e me comovi com as pessoas que há muito não via e com o calor humano e as mil gentilezas com que me receberam. Mais uma vez, obrigadíssimo”.

Assumindo a palavra, Davi retomou o tema da “volta à casa”, numa fala emocionada em que relacionou o momento por ele vivido às experiências do navegador Ulisses, de Odisseia, em seu retorno à terra. Com sua incrível memória, lembrou fatos da vida de Borges e de sua vivência familiar, que o alçaram à categoria de grande narrador: ouvir histórias, contadas pela avó, e ler histórias, na biblioteca do avô. Está aí, enfatizou ele, a semente do escritor, da “arte de ler e contar histórias”, título da palestra .

A seguir, passando a analisar dois contos de Borges, ressaltou uma característica que a crítica tem deixado de lado: o substrato histórico de sua obra. Conforme Davi, além de refletir sobre as angústias do ser humano, Borges é também um grande contador da história da Argentina e da formação do país. Ambienta seus contos nos pampas argentinos, tal como Guimarães Rosa faz com o sertão brasileiro e como Henry Ford, em seus filmes, faz com o oeste americano. Complementando, o palestrante anunciou que os três escritores aparecerão, como narradores, num romance que está escrevendo. 

Por fim, sempre solícito, o palestrante abriu perguntas à plateia, esclarecendo sobre aspectos da obra de Borges, das dificuldades da tradução, da transposição da linguagem verbal para o cinema. No encerramento, Davi recebeu um exemplar da Antologia do 19° Concurso, bem como diversos outros livros escritos por acadêmicos.

A noite encerrou-se com um coquetel aos presentes, numa sala adornada com um painel de textos produzidos pelos acadêmicos, organizado pelos alunos do Instituto Federal .

Foi fundamental para o sucesso do evento o apoio da Prefeitura Municipal, por meio do Departamento de Cultura; a cobertura da imprensa; a colaboração dos acadêmicos e familiares; a dedicação da diretoria do Instituto Federal, bem como a presença e envolvimento de seus alunos; a participação dos amigos pessoais do palestrante.

Por tudo isso, a Academia teve uma festa digna de seus 40 anos. Mais que isso, em seu aniversário, quem ganhou o presente foi a cidade.

 

Beatriz Virginia Camarinha Castilho Pinto

Cadeira 31

Patrono Paulo Setúbal

 

 

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